NICHOS, CAPELINHAS E PAINÉIS DE AZULEJOS.
"Ó tu mortal que me vês / Repara bem como estou / Eu já fui o que tu és / E tu serás o que eu sou". Confrontar os vivos que passam, apontando-lhes a relativa fragilidade da vida e o peso inevitável da morte é uma marca comum a praticamente todas as alminhas dos portugueses, às milhares de alminhas dispersas pelo país.Portugal é o único país do mundo que possui no seu património cultural, localizadas habitualmente à beira de caminhos rurais e em encruzilhadas, as alminhas, representações populares das almas do Purgatório que suplicam rezas e esmolas e que frequentemente surgem em microcapelinhas, padrões, nichos independentes ou incrustados em muros ou nos cantos de igrejas, painéis de azulejo ou noutras estruturas independentes. Mas uma grande parte deste património representativo da religiosidade popular portuguesa está a degradar-se crescentemente, rodeada por silvas, alvo de actos de vandalismo avulso e reflexo directo e generalizado da pressa da vida actual, do abandono das zonas rurais do país e da indiferença que predomina nas autarquias em relação aos pequenos monumentos saídos da imaginação e da devoção do povo.
Até há poucos anos atrás, era normal "a quem passasse junto às alminhas, parar, curvar-se e tirar o barrete [ou chapéu] em respeito, pôr flores, acender uma vela ou lamparina de azeite, fazer o sinal da cruz e rezar o Pai Nosso e Ave Maria, correspondente à sigla P.N.A.M., existente como relembratório junto a muitos nichos e capelinhas que apelam às rezas cristãs".
nota: Centenas de alminhas marcam homicídios que chocaram as comunidades, ajustes de contas, amores mal resolvidos ou locais que ficaram cravados pelo sangue de um despiste de um automóvel ou outro tipo de veículo.
foto de nicho na Via Cova, Mondim de Basto.
Imagem da capelinha no Bezerral, Vilarinho.
Devoção Mariana em Portugal
Painéis de Azulejos.
A representação paisagística surge, “mais do que espaço físico humanizado, desenhada como o elemento catalizador da identidade nacional, testemunha da história / memória do país, e palco representacional do passado e presente da “Nação”. A paisagem é por isso caracterizada pela propaganda pelo seu carácter “lírico” e “pitoresco”, numa diversidade de aspectos que remetem para estereótipos representacionais de visualização propagandística do país.”
A decoração das estações ferroviárias revelam pontos de contacto com a pintura, surgindo um vasto conjunto de representações de rebanhos (ovino, caprino, bovino, equídeo e porcino), muitas vezes acompanhados por um cão pastor. Os animais representam-se também como instrumentos de trabalho, ajudando nas tarefas agrícolas ou principalmente como força de tração, aparelhados em juntas (bois) ou individualmente (burros), transportando diversos produtos, nomeadamente cestos de uvas ou pipas de vinhas ( Mondim de Basto).
